segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Escritos parte I

Pois é, esses dias de manhã eu estava caminhando até a livraria do shopping, pra catar algum romancezinho barato e passar o tempo lendo.
O sol forte que molhava a minha testa rosa pelo percurso também divagou os meus pensamentos. Vários eram os rostos na rua, mas todos os que eu de fato via estavam em minha cabeça.

Ao chiado de uma música qualquer no fone de ouvido, eu vi a Priscila, imaginei o que ela fazia na aula enquanto eu cabulava. Vi depois o namorado dela, então vi os dois juntos se beijando.
Vi a Jéssica e o Renan sorrindo e acenando em minha direção. Depois vi o Henrique. O Henrique. Demorei-me mais nesse último, não sei por quê.
Deve ser por causa do beijo dele, aquele beijo amargo de cerveja, a cosquinha da barba daquela noite a qual me recordo de tanta coisa e lembro de tão pouco.
Aquela vozinha de gente ingênua, casada com a índole mais perversa que me devora com os olhos. É engraçado tudo isso.

Quase como se eu soubesse que ele não iria me amassar, mastigar e engolir, como alguém que assoa o nariz em um lencinho e logo joga fora.
E quase como se eu fosse a única vítima. Como se a enorme cascata de ondas escuras em sua cabeça, não fosse que nem rede de sagaz pescador. Seus olhinhos, que parecem meias-luas que sorriem junto com os dentes, conquistam várias meninas-putas, meninas-mulheres, mulheres-meninas, que como se já não fossem distraídas o suficiente (pra não dizer o pior), insistem em ir atrás do queijo, mesmo sabendo que a ratoeira é a morte. Aquelas tatuagens desbotadas e retorcidas (quantos anos devem ter? uns 10?), que causam repulsa e uma curiosidade suja ao mesmo tempo.

Eis que eu chego à livraria, ao que procuro algum livro idiota com cara de tédio, e lá no fundo uma pontinha me cutucava. Não me levem a mal, não é como se eu estivesse apaixonada. Coisa boba isso, coisa de menina que não sou em parte. Mas a ponta me cutucava e dizia, que queria mesmo era se perder naquela imensidão de mar negro denovo, respirar o hálito do tabaco, passar os dedos por as tatuagens cinzas.

Então eu pego um livro e me sento na poltrona, e apesar da iminente tempestade, começo a ler.



Por Laís A. Alves.

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